Gel microbicida reduz risco de infecção do HIV em até 54%, informa estudo na Conferência de Aids em Viena
Um gel microbicida de aplicação vaginal demonstrou a redução no risco de infecção sexual pelo HIV em até 54% em estudo divulgado no segundo dia da XVIII Conferência Internacional de Aids em Viena. Os resultados completos serão apresentados nesta terça-feira. Além de combater o HIV, os pesquisadores informaram que houve redução de risco de infecção pelo vírus da herpes genital em 51%. As pesquisas são do Centro de Pesquisas de Aids da África do Sul (Caprisa em inglês) em parceria com os Estados Unidos.

A inciativa, intitulada CAPRISA 004, começou em 2007. O gel usado contém na formulação 1% do antirretroviral tenofovir. No total, 889 mulheres sul-africanas sexualmente ativas na faixa-etária entre 18 e 40 anos participaram dos estudos como voluntárias, com o uso do produto, e foram acompanhadas por 30 meses. O gel mostrou uma eficácia média de 39% em todo o grupo estudado, chegando a 54% entre as mulheres que seguiram as orientações à risca. No entanto, os pesquisadores alertam que ainda mais estudos são necessários para garantir a eficácia do microbicida.

Pesquisadores vêm tentando há anos formular um gel, creme, anel ou tablete inserido na vagina ou no reto antes do sexo para prevenir a transmissão do vírus da aids. Mas os esforços anteriores tiveram resultados insatisfatórios.

Uma simulação matemática citada pelos autores do estudo indica que, se os níveis de eficácia do gel de tenofovir se confirmarem, apenas na África do Sul o uso do produto pode salvar mais de 800 mil vidas ao longo de 20 anos. De acordo com os cientistas, a ideia é que as mulheres tenham o gel como uma ferramenta de prevenção, quando não conseguem negociar ou usar os preservativos com os parceiros.

(Agência de Notícias da Aids)