"Professores e pais têm resistência em discutir sexualidade”, disse a coordenadora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Mariângela Simão
Durante debates que ocorreram hoje à tarde no 14º Educaids não faltaram críticas às ações de prevenção ao HIV realizadas nas escolas. Ativista, pesquisador e representante governamental disseram que poucas atividades são organizadas e que elas são insuficientes. O evento ocorre em São Paulo até sábado.
Para o presidente do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinheiro, os educadores precisam começar a abordagem sobre educação sexual quando os alunos ainda são crianças. “Pesquisas internacionais apontam que quanto mais cedo o estudante possui informações, mais ele cuida da saúde”, disse.
Segundo Rodrigo, as mensagens de prevenção – tanto nas escolas quanto as criadas pelo governo – devem ser produzidas e divulgadas com metodologias diferenciadas. “Chega de panfleto e camisinha. Temos que usar novas tecnologias para chamar atenção das pessoas e a mensagem fazer sentido para elas.”
O pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Alexandre Grangeiro afirmou que os educadores precisam trabalhar em sala de aula questões relacionadas à realidade local dos alunos. “Os professores conhecem as demandas dos estudantes e da comunidade em que eles estão inseridos”, justificou. De acordo com Grangeiro, as escolas atualmente prestam um desserviço sobre o tema. “A sala de aula é um centro de preconceito e desinformação”, avaliou.
A coordenadora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, informou que o programa Saúde e Prevenção nas Escolas, ação interministerial criada em 2003, propõe ações educativas sobre sexualidade e HIV/aids. “O programa estimula a discussão de temas como sexo seguro e uso da camisinha entre pais, alunos e professores", declarou. De acordo com Mariângela, apenas 10% das escolas do país participam da iniciativa. “Apesar dos nossos esforços, existe muita resistência de pais e educadores sobre o tema”.
Educaids
Criado em 1996, o evento tem como objetivo promover a troca de experiências nas áreas de educação e prevenção. Participam principalmente educadores, profissionais de saúde, gestores públicos e privados.
(Agência de Notícias da Aids)
