Após dois dias de debates sobre a ampliação do uso do coquetel de remédios antiaids como espécie de “pílula do dia seguinte", especialistas, representantes do governo e de ONGs convocados para preparar o novo documento com recomendações técnicas para o tratamento da doença não chegaram a um consenso, informou hoje o jornal O Estado de S.Paulo.
A indicação de antirretrovirais para tentar impedir a infecção do HIV é feita no País para vítimas de violência sexual e acidentes de profissionais de saúde. Segundo o jornal, os especialistas discutem indicá-los para pessoas expostas a outros riscos, como relações sexuais desprotegidas com prostitutas. A previsão é que debates continuem a ser feitos por e-mail até a chegada de um consenso.
(O Estado de S.Paulo)
Especialistas ouvidos pela Agência Aids reforçam divergência sobre a eficácia desta medida preventiva
Dois especialistas ouvidos pela Agência de Notícias da Aids têm visões diferentes sobre a adoção de medidas preventivas ao HIV baseadas no tratamento antirretroviral.
O professor e ativista do Grupo de Incentivo à Vida (GIV) Jorge Beloqui defendeu que a população deve ter acesso a informações sobre métodos de prevenção alternativos ao uso da camisinha. “Temos que informar as pessoas sobre os estudos e também dizer que eles não são conclusivos. Não podemos tutelar a decisão delas de usar preservativo. Quem somos nós para isso?”, questionou.
Já a assessora técnica do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais Dulce Ferraz afirmou que não há dados que possibilitem adotar com segurança e estratégia de evitar novas infecções pelo vírus da aids tendo como base o tratamento dos infectados. “Esse argumento foi consentido entre os participantes de uma discussão inicial sobre um novo consenso terapêutico para pessoas com HIV/aids. Inclusive ativistas estiveram presentes na reunião”, disse.
Outros estudos também indicam que o tratamento antirretroviral reduz as chances de novas infecções. É o caso de um a pesquisa suíça publicada em janeiro de 2008 que afirma que uma pessoa com HIV, sem nenhuma outra DST (Doença Sexualmente Transmissível), que adere à terapia de medicamentos, passa por acompanhamento médico e possui carga viral indetectável no sangue por pelo menos seis meses não transmite o vírus da aids.
(Agência de Notícias da Aids)
